Prêmio Darcy Ribeiro de Educação
Edição 2008
Antropólogo, romancista e político mineiro. Um dos principais intelectuais brasileiros; é o fundador da Universidade de Brasília
Darcy Ribeiro (26/10/1922-17/12/1997) – nasceu em Montes Claros. Forma-se pela Escola de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo (USP) em 1946. No ano seguinte, como etnólogo do Serviço de Proteção ao Índio, passa períodos com várias tribos indígenas. Publica os livros Religião e Mitologia Kadiwéu (1950); Línguas e Culturas Indígenas do Brasil (1957; Arte Plumária dos Índios Kaapor (1957),este em colaboração com sua mulher, Berta Ribeiro; e A Política Indigenista Brasileira (1962). É chefe da Casa Civil da Presidência da República entre 1963 e 1964. Com o golpe militar, foge para o Uruguai, onde vive por quatro anos. Volta definitivamente ao Brasil em 1974 e passa a participar da política carioca. Em 1982 elege-se vice-governador do Rio de Janeiro na chapa liderada por Leonel Brizola pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Concorre ao governo estadual em 1986, mas é derrotado. Em 1990 elege-se senador pelo Rio. Escreve romances como Maíra (1977), O Mulo (1981), Utopia Selvagem (1982) e Migo (1988). Morre em Brasília.
Fonte: Quem é Quem na História do Brasil (Editora Abril – 2000)
“O livro mais importante do Brasil é o Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. Mas é o ponto de vista da classe dominante sobre o que é a casa-grande e a senzala. Não explica o Brasil. Eu sempre tive como preocupação explicar as causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos e, por isso, escrevi As Américas e a Civilização.”
Fonte: Veja, janeiro de 1995
Entrevista
E o senhor, é melhor intelectual ou como político?
Darcy Ribeiro – Eu sou atípico. O PC não me quis porque me achava um militante muito agitado, e a FEB não me aceitou porque os médicos acharam que eu era muito raquítico para ser sargento. Eu me entendi com o Marechal Rondon e passei 10 anos com os índios. Dali fui ser Ministro da Educação, criei a Universidade de Brasília, fui chefe da Casa Civil de Jango, tentei fazer a reforma de base e caí no exílio. E foi no exílio que escrevi uma larga obra. Nunca gostei de ser político por razões éticas. Um poeta inglès pode ser só poeta. Mas num país com o intestino à mostra, como o Brasil, o intelectual tem obrigação de tomar posição. Essa é uma briga séria e eu estou nessa briga. Mas, se tiver de dizer do que eu mais gostei na vida, eu digo que eu gostei mais foi de namorar.
Como o senhor define o Brasil?
Darcy Ribeiro – O Brasil é a melhor província e o melhor povo do mundo para fazer um país. Mas é muito difícil. É muito fácil fazer uma Austrália. Basta caçar uns ingleses e holandeses, jogar no mato e mandar matar os índios e pedir que repitam a paisagem inglesa. No caso do Brasil, não. É a partir de 6 milhões de índios desfeitos, 12 milhões de negros desafricanizados e a partir de uns poucos milhares de portugueses que se refaz um povo, um gênero novo de gente que nunca existiu. Gente que procura a sua vez, tem enormes potencialidades, mas que ainda não encontrou seu destino.
Como o senhor vê o intelectual brasileiro?
Darcy Ribeiro – O intelectual brasileiro raramente foi fiel ao Brasil. Num período de lutas como o da abolição, os intelectuais tiveram a oportunidade única de se colocarem na frente do povo. No início da década de 60, comigo no Ministério da Educação, foi possível levantar com a intelectualidade um movimento formidável que, entre outras coisas, produziu o cinema novo. A tendência do intelectual é acomodar-se. Intelectual não é flor que se cheire. Em nenhum lugar se costuma confiar em intelectual. A Inglaterra nunca pensou que os intelectuais iam salvá-la, tampouco a França
Fonte: Revista Veja, janeiro de 1995
O povo brasileiro
“Que é o Brasil entre os povos contemporâneos? Quem são os brasileiros? Enquanto povo das Américas contrasta com os povos testemunhos, como o México e o altiplano andino, com seus povos oriundos de altas civilizações que vivem o drama de sua dualidade cultural e o desafio de sua fusão numa nova civilização.
Outro bloco contrastante é o dos povos transplantados, que representa nas Américas tão-só a reprodução de humanidades e de paisagens européias. Os Estados Unidos da América e o Canadá são de fato mais parecidos e mais aparentados como a África do Sul branca e com a Austrália do que conosco. A Argentina e o Uruguai, invadidos por uma onda gringa que lançou 4 milhões de europeus sobre um mero milhão que havia devassado o país e feito a independência, soterrando a velha formação hispano-índia, são outros transplantados (...) Os outros latino-americanos são, como nós mesmos, povos novos, em fazimento.”
Fonte: O Povo Brasileiro – A Formação e o Sentido do Brasil, Cia. Das Letras, São Paulo
Agraciados
Fundação Nestlé do Brasil – Programa Nutrir
A Fundação Nestlé Brasil identificou em pesquisas de perfil nutricional da população brasileira, que a fome e a obesidade são dois dos maiores problemas do Brasil. O Estudo Nacional de Despesa Familiar de 2004 apontou que 42% das famílias brasileiras consumiam diariamente menos calorias do que deveriam e havia um grande número de crianças com peso e estatura aquém do esperado. Embasado nesta realidade, a empresa lançou o Programa Nutrir, que consiste de um kit Nutrir, composto pelo Receituário 1 que é um caderno de receitas que ensina como aproveitar integralmente os alimentos, informa o valor nutricional de cada porção do prato preparado e sugere um cardápio equilibrado pelo Manual Antropomético, que indica a tomada de medidas de peso e altura para verificar o estado nutricional de cada pessoa ou de uma comunidade.
Fundação Victor Civita (FVC)Entidade sem fins lucrativos, a FVC foi criada em setembro de 1985 pelo então presidente do Grupo Abril, Victor Civita, com a missão de contribuir para a melhoria da educação básica, por meio de valorização e do aprimoramento do educador como profissional, como cidadão e, sobretudo, como ser humano. Para destacar a relevância e o significado do conjunto das ações da Fundação, a entidade teve várias iniciativas como o lançamento, em 1986, da Revista Nova Escola; a Nova Escola On-Line, criada em 1998; e há 11 anos promove o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, entre outras.
Maria Radespiel
Professora, pedagoga, empresária da educação e autora de livros didáticos mais vendidos no Brasil. Seu trabalho como educadora iniciou aos 13 anos, em um distrito do município de Sabará, em Minas Gerais. No quintal de sua própria casa, à sombra de uma mangueira, a menina ensinava seus irmãos mais novos e as crianças vizinhas.
De lá para cá, Maria Radespiel desempenhou várias funções escolares e produziu, como autora, livros para educação infantil e fundamental. Destaque ainda para a coleção Brasil Alfabetizando, como cinco volumes, voltada para a educação de jovens e adultos. Outra iniciativa da professora é a Editora Iemar, que, com o apoio de distribuidores espalhados por todo o País, comercializa quase um milhão de livros da autora todos os anos.
Indicaçôes
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Legislação
