Deputadas de Moçambique e Brasil debatem situação da mulher
19/06/2008

Brasília – Membros da bancada feminina da Câmara receberam nesta quarta-feira (18) cinco deputadas representantes do Gabinete da Mulher Parlamentar de Moçambique, e trocaram experiências sobre a inclusão da mulher na vida político-econômica dos dois países. Dos 250 parlamentares de Moçambique, 94 são mulheres, num total de 38% de ocupação feminina na Câmara moçambicana. No Brasil, dos 513 deputados, apenas 46 são mulheres.
A presidente do Gabinete da Mulher, deputada Margarida Talapa, explicou que o alto índice de participação da mulher na vida política do país africano, ex-colônia de Portugal, se deve à luta pela libertação. A batalha pela independência do país obrigou as mulheres, que somam 52% da população, a pegar em armas e guerrear lado a lado com os homens. Esse fato, segundo a deputada, provocou a consciência, na sociedade, da necessidade de participação feminina na política. Margarida disse ainda que os 11 partidos da nação africana têm representantes mulheres e a presença feminina se estende a todos os órgãos de governo.
No entanto, Margarida Talapa ressaltou que problemas como AIDS, pobreza e violência afetam as mulheres de Moçambique tanto quanto no Brasil. A parlamentar disse que o objetivo do Gabinete Parlamentar da Mulher é incentivar cada vez mais a participação feminina na política para minimizar as diferenças de gênero.
No que diz respeito ao Brasil, a deputada Sandra Rosado (PSB/RN) citou a Lei Maria da Penha, que prevê punição para crimes contra a mulher, e o sistema de cotas que obriga os partidos políticos ocuparem 30% das vagas com candidatas, como os grande avanços pelos direitos femininos no país. “Estamos num processo de reconstrução da auto-estima da mulher brasileira e queremos incentivar a ocupação feminina dos espaços de poder como forma de modificar para melhor a sociedade”, avaliou a socialista. Também participaram da reunião, as deputadas Alice Portugal (PCdoB/BA), Janete Pietá (PT/SP) e Nice Lobão (DEM/MA) .
A delegação de Moçambique segue nesta quinta-feira para são Paulo, onde se reunirá com membros da Confederação das Mulheres do Brasil e da Federação Democrática Internacional de Mulheres.
História - Depois de uma guerra de libertação que durou cerca de 10 anos, Moçambique tornou-se independente em 25 de Junho de 1975, na sequência da Revolução dos Cravos, a seguir à qual o governo português assinou com a Frelimo (um dos partidos do país) os acordos de libertação. Após a independência, com a denominação de República Popular de Moçambique, o país seguiu uma política socialista, que teve que abandonar em 1987, quando foram assinados acordos com o Banco Mundial e FMI. Depois do acordo geral de paz, o país assumiu o pluripartidarismo, e as primeiras eleições com a participação de vários partidos aconteceu em 1994.







