Você está aqui: Página Inicial > Notícias > Agência Câmara de Notícias > Política > Votação de Luciana Genro e Jean Wyllys reabre debate sobre quociente eleitoral
05/10/2010 18:01

Votação de Luciana Genro e Jean Wyllys reabre debate sobre quociente eleitoral

Diógenis Santos
Luciana Genro recebeu 129 mil votos, mas não atingiu o quociente eleitoral.

No Rio Grande do Sul, a deputada Luciana Genro (Psol) não conseguiu ser reeleita, apesar de receber 129 mil votos. Já no Rio de Janeiro, o ex-BBB Jean Wyllys, também do Psol, será deputado federal com 13 mil votos. Situações como essa, que se repetem a cada eleição, reabrem a discussão sobre o voto proporcional.

O cálculo do quociente eleitoral fez de Luciana Genro a deputada não eleita mais votada do Brasil e de Jean, o deputado eleito com menos votos. O professor universitário e vencedor do “BBB 5” chega à Câmara graças à votação de seu colega de partido no Rio, o deputado Chico Alencar, que se reelegeu com 240 mil votos.

Entenda o cálculo feito para eleger os deputados

Para o líder do Psol na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), o sistema atual cria distorções “monstruosas” quando se trata de coligações partidárias, porque nem sempre o candidato “puxado” segue a mesma ideologia do mais votado. "Agora, quando os partidos são mais homogêneos, ideológicos, programáticos, é menos grave essa situação", disse.

Divulgação
Jean Wyllys: 13 mil votos no Rio.

O presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais, Marlon Reis, ressalta que o objetivo do sistema proporcional é permitir a participação de grupos minoritários na política, ainda que não obtenham maioria de votos.

O problema desse modelo, segundo Reis, é que o eleitor tem a falsa impressão de votar em pessoas. Na realidade, o voto é primeiro para as coligações e, apenas secundariamente, para os candidatos.

Reis acredita que o fim do voto proporcional, com a eleição direta dos mais bem votados, traria mais distorções. "Voto direto acaba com as oposições. O governo vai eleger todos os representantes", afirma.

Lista fechada
O deputado Ivan Valente afirma que o sistema atual tem de ser aperfeiçoado e que o voto em lista fechada, preparada pelos partidos, resolveria distorções. Nesse sistema, o eleitor vota no partido, que apresenta uma lista com os nomes dos candidatos. “Isso eliminaria o problema da proporcionalidade", diz.

Marlon Reis concorda que o modelo da lista fechada seria mais transparente, já que o eleitor saberia previamente quais candidatos seriam beneficiados pelo seu voto. "Não há possibilidade de estelionato eleitoral, como aconteceu no caso do Tiririca", diz, citando o deputado eleito mais votado destas eleições, que “puxou” outros três candidatos de sua coligação.

Reportagem - Verônica Lima / Rádio Câmara
Edição – Daniella Cronemberger

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara de Notícias'



Comentários

João Alves dos Santso | 07/10/2010 21:03
Sou contra essa forma, tenho certeza que deve vencer os mais bem votados pela ordem, no concurso público não existe essa forma de beneficiar aquele que tirou menor nota, vence aquele que tirou maior nota. Ou vai aplicar ao concurso público essa forma mágica da politica ? Eleger o menos votado ! Meu candidato com 24.000 votos é suplente,e na sua frente entrou um com 14.000 votos, é a questão mágica.
Sandro Souza | 07/10/2010 14:55
O eleitor, no geral, está cansado das maracutaias dos partidos, ele voto no candidato, pois ademais tudo é apenas "jeitinho brasileiro", vergonhoso!
ZÉZINHO RAMOS | 07/10/2010 01:41
ESSE NEGÓCIO DE QUOCIENTE TÁ POR FORA. TEM QUE SER VOTO DIRETO, POIS QUEOR QUE SEJA ELEITO O CANDIDATO QUE VOTO E NÃO OUTRO QUALQUER, TEM QUE SER ELEITO OS MAIS VOTADOS, DIVIDO AS VAGAS EM QUANTIDADE DE IGUALDADE POR CADA PARTIDO. FOI BEM VOTADO, TÁ ELEITO. TEVE POUCO VOTO, TÁ FORA !!!! VAMOS VIVER A DEMOCRACIA, DO QUE JEITO QUE ESTÁ HOJE, NÃO É DEMOCRÁTICO !!!!!