Para o nosso eterno lutador: Adão Pretto, presente!
Não poderia ser diferente! Bandeiras, enxadas e frutos da terra. A imagem era linda, mesmo que triste. Camponeses em marcha, com suas sementes e materiais de trabalho. As bandeiras em fileiras, saudando o companheiro de todas as horas e lugares. As músicas que revelavam a mística da terra, ao mesmo tempo em que nos lembravam do sonho maior: uma sociedade mais justa e igualitária. E já imaginávamos como contaria esta cena, seja no seu “amado Rio Grande”, seja nos corredores do Congresso Nacional.
A própria terra se fez presente nos vários “Adeus” que família, amigos, companheiros de luta e de trabalho, deputados, ministros, o presidente da República deram para quem foi de direito. Os adversários baixaram a voz e se curvaram diante da luz deste companheiro que, de pequeno, só tinha a estatura. Mas não era problema: subia num barranco e sua trova ecoava.
Em cada despedida uma homenagem que relembrava o mais variados “causos” que costumava contar com tanta alegria e desenvoltura. Histórias que sempre tinham a palavra terra. Contos que sempre animavam a luta. Perguntamo-nos o porquê de Deus ter levado o nosso companheiro tão cedo. Quem é que sabe dos desígnios de Deus?
Aprendemos muito. Conhecemos, na vivência diária, que não basta ser um teórico; tem que sujar sim o pé com o barro para saber que nada é simples com esse peso da história que a estrutura agrária brasileira leva contra os mais pobres. Mostrou-nos a força da poesia e o quanto ela derruba muros. Ensinou-nos que, para combater o latifúndio, é preciso de armas fortes. E lá ia sua gaita; uma grande arma que levava, de maneira doce, os tons e a harmonia de quem tinha idéia fortes e que sabia qual era a linguagem de seu povo.
Sua história é a mesma de lutadores que se fizeram imprescindíveis. A sua atuação militante nunca esqueceu de sua origem. Fazia questão de se manter nela. Era um camponês no parlamento e, reconhecendo-se assim, procurou buscar instrumentos para que a classe trabalhadora deste País tivesse o poder nas mãos. Por isso, foi deputado por seis vezes e fez de seu mandato uma estrutura de serviço ao trabalhador. Desta forma, aceitou a presidência da Comissão de Legislação Participativa; não havia lugar no Congresso mais parecido com sua história.
A simplicidade foi sua marca. Não se calar foi sua missão. Ficamos com um vazio na política brasileira. Sentiremos saudades da vida que emanava nos olhos de quem se alegrava quando podia enfiar sua mão na terra.
Mas, sim. Lembraremos sempre do sorriso farto e a disposição para a luta em qualquer hora, em qualquer situação. Lembraremos dos jargões gaúchos de quem amava seu Estado, mas não esqueceu que o Brasil é muito grande... maior que o Rio Grande do Sul. Lembraremos, sim, da coragem de dizer, sem pudores, o que este povo sofrido do campo sempre teve vontade de dizer, mas nunca teve voz e vez.
Portanto, continuamos a dizer:
Adão Pretto: presente! presente! presente!